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Instituições migram para ativos de locação unifamiliares conforme a demanda na Pandemia se aquece.

February 16, 2021


Investidores institucionais e gestores de propriedades vislumbram uma oportunidade nas locações unifamilares residenciais (Single Family Rentals ou SFR), já que muitos americanos optam por não adquirir propriedades residenciais no competitivo mercado imobiliário residencial.


A pandemia resultou em um aumento na demanda por esse tipo de espaços de habitação privados oferecidos pelas residências unifamiliares. Essa tendência chamou a atenção de investidores institucionais, pessoas físicas e gestores de propriedades, muitos dos quais estão fazendo consideráveis apostas no mercado de locação de residências unifamiliares (SFR).

Nos últimos anos, é fácil entender o apelo de morar em uma casa independente, em oposição a uma unidade menor em um condomínio de apartamentos. O fenômeno é facilmente explicado pelo desejo de escapar dos congestionamentos e das restrições dos centros urbanos, aliado à recém descoberta flexibilidade do trabalho remoto e mais tempo em casa.

Com a escassez de imóveis residenciais levando os preços a picos históricos, não há dúvida dos motivos que os americanos estão adotando o aluguel em vez de comprar uma casa moderna e espaçosa no subúrbio.

De acordo com o realtor.com, em dezembro de 2020, o preço médio pedido para uma casa unifamiliar era de US$ 340.000, um aumento de 13,4% em relação ao ano anterior. No âmbito nacional, as casas à venda em dezembro caíram 39,6% em relação ao mesmo período de dezembro de 2019, o que se traduz em aproximadamente uma redução 449.000 casas disponíveis.

Alugar uma residência unifamiliar pode ser uma solução viável por uma série de razões. Em muitos mercados, a casa própria está simplesmente, financeiramente fora do alcance dos assalariados médios. Em outros casos, os moradores procuram maior flexibilidade durante os períodos de incertezas ou simplesmente preferem evitar os compromissos e os riscos das flutuações dos custos de habitação e/ou financiamentos a longo prazo.

Investidores, construtores e gestores de propriedades perceberam essa tendência. Antes do recente salto na demanda por SFR, os proprietários institucionais representavam apenas 3% do estoque total, proporcionando ampla participação de mercado para os recém-chegados.
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A incerteza em torno de outros tipos de empreendimentos, como escritórios, shopping centers e residências multifamiliares, forçou os investidores a encontrarem novos meios para alocação de capital.

Outra prova dessa tendência pode ser encontrada nos fundos de investimentos imobiliários. Os fundos de investimentos imobiliários de residências unifamiliares superaram o mercado mais amplo de REIT em 2020 em 23%, superando os setores tradicionais como residências multifamiliares (-9%), escritórios (-22%) e shopping centers (-33%), conforme relatado pela pesquisa  promovida pela JLL.
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O SFR é visto como uma oportunidade no que se acredita ser uma tendência de longo prazo. Com o estoque histórico baixo, o próximo passo dos investidores é usar o fluxo de capital para criar sua própria oferta de habitação por meio de um modelo de construção para locação.

A construção de novos empreendimentos apresentou uma média constante de cerca de 31.000 unidades nos últimos 40 anos. Agora estamos vendo um aumento para 50.000 unidades. A crise imobiliária de 2008 deu início à tendência de SFR e agora a pandemia de COVID-19 a está impulsionando.

Também estamos observando tradicionais incorporadoras de apartamentos, como Greystar Real Estate Partners, adicionando o SFR a seus portfólios. A Greystar está gerenciando 1.500 casas e tem como meta um crescimento para 25.000 casas, conforme discutido neste artigo da Bloomberg.

Propagando a idéia de que as pessoas estariam dispostas a alugar em vez de financiar um imóvel, os gestores de propriedades veem uma oportunidade para um ciclo de vendas mais longo.

É sempre mais fácil alugar ou vender para um inquilino existente, por isso é natural seguir esse pensamento até sua conclusão no ciclo de vida da habitação. Gary Beasley, CEO da Roofstock, descreve da seguinte forma: o ciclo começa com o aluguel de apartamentos urbanos para moradores na faixa dos 20 anos, mudando-os para aluguel em subúrbios aos 30 anos e, eventualmente, vendendo-lhes uma casa na casa dos 40.


Por Kris Oxtal MAI, Socio

koxtal@capright.com