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Os reflexos da crise do Petróleo no mercado de escritórios no Rio de Janeiro

April 28, 2020

Por Marco Ribeiro, Engenheiro de Avaliações, Capright

Após a crise econômica que atingiu o Brasil no ano de  2016, acentuada pela crise do setor de óleo e gás que sofria os impactos extensos da Operação Lava-Jato na Petrobras, bem como a queda nos preços dos barris de petróleo no mundo, o mercado de escritórios localizados na cidade do Rio de Janeiro sofreu uma debandada das principais empresas do setor da região, que suspenderam suas operações locais, elevando as taxas de vacância a incríveis 88,7% na região do Porto, no início de 2017.

No final de 2019, o setor imobiliário corporativo do Rio de Janeiro se animava com uma possível recuperação devido a retomada do setor de óleo e gás. As taxas de vacância na região do Porto do Rio de Janeiro já demonstravam uma nítida recuperação dos nebulosos anos anteriores, apresentando no final de 2019 uma redução na taxa de vacância no Porto a 35,5%, enquanto a taxa média do mercado de escritórios apontava para 32,0% de vacância geral. Neste mesmo período, a Petrobras  anunciava um plano de investimentos em torno de US$75,7 bilhões em projetos para os próximos cinco anos, sendo a previsão de produção em 2020 de 2,2 milhões de barris por dia, e 2,9 milhões em 2024.

No início de março de 2020, iniciou-se uma disputa de preços entre Rússia e Arábia Saudita, ocasionando uma crise no mercado do petróleo, resultando na maior queda no preço do barril desde 1991 (durante a Guerra do Golfo). O embate acontecia no momento em que a Arábia Saudita pressionava os países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a cortar sua produção diária de barris de petróleo, afim de conter as quedas de preços. Em contrapartida,  os russos, um dos maiores produtores de petróleo no mundo, aumentaram a produção e reduziram consideravelmente os preços. Paralelamente iniciou-se a expansão pelo mundo do que iria se tornar uma pandemia com o maior impacto econômico nas economias mundiais. Com o mundo e as atividades econômicas paralisadas, a demanda por pretróleo caiu bruscamente.

Como consequência dos cenários apresentados no início de 2020, a Petrobras, no dia 15 de abril deste ano, anunciou a paralisação de 45 plataformas de exploração nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil, sendo seis delas localizadas na Bacia de Campos que correspondem a 80,0% do desempenho total do mercado petrolífero do país. A previsão é que o Rio de Janeiro tenha uma redução mais profunda da capacidade de produção, até atingir a meta de 200 mil barris de petróleo por dia.

Segundos dados da SiiLA Brasil, no 4T19 o setor de Petróleo e Gás representava aproximadamente 20,0% da ocupação geral no mercado imobiliário de escritórios do Rio de Janeiro.

A maior concentração está na região do Centro, correspondendo a  26,0% da ocupação na região, com uma área bruta locável de aproximadamente 294.319 m2 e 195 ocupantes. Como forma de ilustrar esta valorização, o preço médio pedido por ocupante do setor na região do Centro do Rio de Janeiro é R$85,00/m2, valor superior ao preço médio pedido de R$78,00/m2 para o mercado geral do Rio de Janeiro.

Conforme os dados acima expostos, o mercado imobiliário corporativo fluminense é extremamente dependente do setor de Petróleo e Gás, que engloba, além das operações da Petrobras, uma enorme cadeia de empresas nacionais e internacionais, envolvidas na prestação de serviços offshore e onshore.  Somada a esta dependência ao segmento petrolífero, temos os impactos atuais e futuros da pandemia de COVID-19 que afetará as economias mundiais em diversos setores, criando uma possível recessão global com impactos e extensão ainda a serem dimensionados. Desta forma, o mercado imobiliário do Rio de Janeiro, que no início do ano de 2020 encenava sua recuperação tardia da última crise econômica, será um dos grandes afetados pelos possíveis impactos decorrentes da considerável queda  na economia mundial.